JURA EM PROSA E VERSO

TRABALHOS MAÇÔNICOS

A ESTRELA FLAMÍGERA

Ir.'. ANDRÉ LUIZ M. VARELLA

 

 

 

PRELIMINARMENTE, DESEJO CONSIGNAR QUE A MAÇONARIA É UM SISTEMA DE MORALIDADE DESENVOLVIDO E INFORMADO PELA CIÊNCIA DO SIMBOLISMO, QUE É UM RAMO DO CONHECIMENTO MAIS ANTIGO DO MUNDO, POIS ATRAVÉS DOS SÍMBOLOS OS POVOS PRIMITIVOS SE COMUNICAVAM E REGISTRAVAM SUA HISTÓRIA.

LOGO, O SIMBOLISMO É UM ASSUNTO VASTO E EMPOLGANTE, PORQUE PROVOCA DÚVIDA E, FREQÜENTEMENTE, CONDUZ OS ESTUDIOSOS A INTERPRETAÇÕES DIFERENTES, SENDO CERTO QUE O GENUÍNO SÍMBOLO É AQUELE QUE PODE SER INTERPRETADO POR DIVERSOS ÂNGULOS, DE ACORDO COM A CAPACIDADE INTELECTUAL E EMOCIONAL DE CADA IR.

DE OUTRO GIRO, COM O SURGIMENTO DA MAÇONARIA ESPECULATIVA NO SÉCULO XVIII, NA INGLATERRA, RESSURGIU, TAMBÉM, UMA RELEITURA DOS SÍMBOLOS RELIGIOSOS QUE SE ENCONTRAVAM DETURPADOS PELA IGNORÂNCIA ECLESIÁSTICA MEDIEVAL.

EM VISTA DISSO, OS MAÇONS ESPECULATIVOS COMEÇARAM A ESTUDAR OS SÍMBOLOS RELIGIOSOS E INICIÁTICOS, DANDO ORIGEM À SIMBOLOGIA MÍSTICA DOS MAÇONS OPERATIVOS, ALQUIMISTAS E OUTROS SINAIS TRADICIONAIS QUE FIZESSEM LEMBRAR OU REPRESENTAR ALGUMA COISA. ADEMAIS, FORAM INCLUÍDOS NESSES ESTUDOS, OS SÍMBOLOS DE SIGNIFICADO PARTICULAR COMO É O CASO DA ROMÃ, CADEIA DE UNIÃO, ESTRELA FLAMÍGERA, A LETRA G, ACÁCIA, O PELICANO ETC...; POR CONSEGUINTE, SÃO INÚMEROS OS SÍMBOLOS MAÇÔNICOS, PORÉM ALGUNS SE DESTACAM PELO CONSTANTE USO E CONHECIMENTO ENTRE OS MAÇONS.

TODAVIA, PUGNO PELAS ESCUSAS DOS MEUS QUERIDOS IIRPOR NÃO TECER COMENTÁRIOS DE CADA SÍMBOLO CITADO NO PARÁGRAFO ANTERIOR, HAJA VISTA O OBJETO DESTE TRABALHO RESUMIR-SE AO SIGNIFICADO ÍMPAR PARA OS CCOMP MMAÇ DA ESTRELA FLAMÍGERA.

COM O EXPOSTO, DESTACO NESTA OPORTUNIDADE QUE A VISÃO QUE IREI EXPOR DE TAL SÍMBOLO É PARTICULAR, PODENDO SER OVACIONADO POR ALGUNS E RECHAÇADO POR OUTROS.

A ESTRELA FLAMÍGERA É TAMBÉM CONHECIDA POR ESTRELA DE CINCO PONTAS; ESTRELA PENTAGONAL OU PENTAGRAMA; A ESTRELA FLAMEJANTE OU FLAMANTE.

PORÉM, O IR RIZZARDO DA CAMINO, ILUSTRE ESTUDIOSO DO SIMBOLISMO MAÇÔNICO, NA SUA FESTEJA OBRA “O COMPANHEIRISMO MAÇÔNICO”. 2° ED. REVISTA E AMPLIADA, PÁGINAS 79 E 80, ONDE ELE ENSINA QUE OS SÍMBOLOS ACIMA CITADOS SÃO DISTINTOS. E PARA EXPLICAR A SUA DIVERGÊNCIA, CAMINO COMEÇA PELA COLOCAÇÃO DAS REFERIDAS ESTRELAS NO TEMPLO, UMA É SOBRE A PORTA DE ENTRADA (CINCO PONTAS), E A OUTRA, SOBRE O TRONO DO 2° VIG(FLAMÍGERA).

O SEGUNDO PONTO EM QUE CAMINO EXPÕE SUA DISCORDÂNCIA É QUE A ESTRELA DE CINCO PONTAS É COMUM À LOJA DO COMPANHEIRO E DE APRENDIZ, PORÉM O SEU ESTUDO TORNA-SE MAIS MINUCIOSO NO GRAU 2. ASSIM, A ESTRELA QUINÁRIA É O MESMO PENTAGRAMA SEM A INSERÇÃO DA LETRA “G”, MAS QUE IRRADIA OU EXPELE CHAMAS.

ASSIM, AMADOS IIR, NA MINHA MODESTA OPINIÃO, APESAR DO ILUSTRE IR CAMINO DETALHAR AS DIFERENÇAS, CONSIDERO DE SOMENOS IMPORTÂNCIA TAL DISSENSÃO, PORQUE O NOTÁVEL ESTÁ NAS INFORMAÇÕES SIMBÓLICAS TRANSMITIDAS, PARA O OBJETIVO PRINCIPAL DO MAÇOM QUE É A BUSCA CONSTANTE DO SEU APERFEIÇOAMENTO ESPIRITUAL.

PORTANTO. A ESTRELA DE CINCO PONTAS SIMBOLIZA O DOMÍNIO DOS CINCO SENTIDOS TATO, VISÃO, AUDIÇÃO, OLFATO E PALADAR. SÃO ELES QUE CARACTERIZAM A PERSONALIDADE HUMANA E É ATRAVÉS DELES QUE ADQUIRIMOS O CONHECIMENTO DO MUNDO EXTERIOR. ELES SÃO PARA NÓS OS MEIOS DE DESENVOLVIMENTO DAS FACULDADES E DO PENSAMENTO.

A ESTRELA DE CINCO PONTAS É UM DOS SÍMBOLOS APRESENTADOS AO COMP MAÇ DURANTE A SUA ELEVAÇÃO, MAS CONHECIDO COMO ESTRELA FLAMÍGERA, QUE É O ASTRO DO LIVRE PENSAMENTO, ISENTO DE PRECONCEITOS E SUPERTIÇÕES. É UMA ESTRELA DE ORIGEM PITAGÓRICA. AS SUAS CINCO PONTAS PODEM REPRESENTAR OS SENTIDOS; O HOMEM ESPIRITUAL, COM OS BRAÇOS ABERTOS E AS PERNAS FIXADAS NO SOLO, SIMBOLIZA TAMBÉM O HOMEM PERFEITO EM SEU ASPECTO QUÍNTUPLO: FÍSICO, EMOCIONAL, MENTAL, INTUICIONAL E ESPIRITUAL. DEMONSTRA A GLÓRIA DO CRIADOR E SUA DIVINDADE.

TAL SÍMBOLO ACABOU SENDO ADOTADO PELA MAÇONARIA, NA FRANÇA, EM MEADOS DA PRIMEIRA OBEDIÊNCIA MAÇÔNICA MUNDIAL, A GRANDE LOJA DE LONDRES, CRIADA EM 1717.

O CRIADOR DO RITO ADONHIRAMITA, O BARÃO DE TSCHOUDY, É QUE VIRIA A ADOTAR A ESTRELA COMO SÍMBOLO MAÇÔNICO, QUE ERA TOTALMENTE DESCONHECIDO DOS ANTIGOS MAÇONS DE OFÍCIO E DOS PRIMEIROS ACEITOS.

SENDO A MAÇONARIA UMA OBRA DE LUZ, NELA A ESTRELA FLAMEJANTE, NOS RITOS QUE A ADOTAM, ASSUME A SUA POSIÇÃO NORMAL, OU SEJA, COM APENAS UMA DAS PONTAS PARA CIMA, SENDO, NESSE CASO, A ESTRELA HOMINAL, NA QUAL SE INSCREVE A FIGURA DE UMA PESSOA HUMANA.

SEGUNDO AINDA ELIPHAS LEVI, O PENTAGRAMA É A FIGURA DO CORPO HUMANO, COM QUATRO MEMBROS E UMA ÚNICA PONTA, QUE DEVE REPRESENTAR A CABEÇA. UMA FIGURA HUMANA DE CABEÇA PARA BAIXO (NA ESTRELA INVERTIDA), REPRESENTA, OBVIAMENTE, OS MAUS INSTINTOS, A SUBVERSÃO INTELECTUAL, A DESORDEM E A LOUCURA.

COM A FIGURA HUMANA DE CABEÇA PARA BAIXO OU COM A INSCRIÇÃO DE UM BODE, A ESTRELA INVERTIDA É, SEMPRE, O ATRIBUTO DA MATERIALIDADE, ENQUANTO QUE EM POSIÇÃO NORMAL ELA REFLETE A ALTA ESPIRITUALIDADE HUMANA.

IMPORTANTE RESSALTAR QUE ELIPHAS LEVI, UM ESTUDIOSO DO OCULTISMO, FOI UM DOS PRIMEIROS A ADAPTAR O PENTAGRAMA INVERTIDO COMO SÍMBOLO DO MAL.

LEVI DEU FORMA A DUAS ILUSTRAÇÕES DO PENTAGRAMA, PRIMEIRAMENTE (SUA ORIENTAÇÃO BOA) CARACTERIZANDO OS CINCO PONTOS DE UM HOMEM DENTRO DOS PONTOS DO PENTAGRAMA, ISTO É CHAMADO O HOMEM MICROCÓSMICO E REPRESENTA OS QUATRO ELEMENTOS (TERRA, AR, FOGO E ÁGUA) COM OS MEMBROS COM SUA CABEÇA QUE REPRESENTA O DOMÍNIO DO ESPÍRITO SOBRE A MATÉRIA. DEPOIS DO HOMEM MICROCÓSMICO, DESENHOU-SE O PENTAGRAMA INVERTIDO, ASSEMELHANDO-SE À CABEÇA DE UM BODE. FEITO ISSO, SURGIU PELA PRIMEIRA VEZ UMA DIFERENCIAÇÃO ENTRE O BEM E O MAL SIMBOLIZADO PELO PENTAGRAMA.

BAPHOMET

ASSIM, COM A INVERSÃO DO PENTAGRAMA, SURGIU A SEMELHANÇA COM A ENTIDADE PANTEÍSTA BAPHOMET, BODE DE SABÁ, QUE SE TRATA DE UMA FIGURA COM A CABEÇA DE CABRA; O CORPO SUPERIOR DE UMA MULHER (MATERNIDADE); PÉS COM CASCOS; UM PAR DAS ASAS; UMA VELA (SÍMBOLO DA REVELAÇÃO) COMBINANDO A POTÊNCIA SEXUAL MASCULINA COM OS ELEMENTOS DO PENTAGRAMA E A INTELIGÊNCIA, SENDO QUE PARA ALGUNS TAL IMAGEM TEM LIGAÇÃO COM A MAGIA.

NÃO OBSTANTE ESSAS INTERPRETAÇÕES DE TAL SÍMBOLO, NA MAÇONARIA A ESTRELA FLAMÍGERA É A LUZ APROPRIADA PARA ILUMINAR O COMP MAÇ.

LOGO O GRAU DE COMP MAÇ RECOMENDA-SE AO PEDREIRO LIVRE E DE BONS COSTUMES QUE, SOB OS AUSPÍCIOS DA LUMINOSIDADE ESTELAR, APRIMORE AS SUAS FACULDADES PESSOAIS E COM ISSO DEVE BEM EMPREGA-LAS EM BENEFÍCIO DA HUMANIDADE, ASSIM UTILIZANDO-SE DO MAÇO, CINZEL, RÉGUA, COMPASSO, NÍVEL, PRUMO E POR FIM DA ALAVANCA, OS QUAIS SÃO OS ELEMENTOS DO CONJUNTO SIMBÓLICO DO LABOR DO PROGRESSO MAÇÔNICO. TAIS OBJETOS AUXILIARÃO, SIMBOLICAMENTE, O BOM OBREIRO A VENCER AS DIFICULDADES, COM A DEPENDÊNCIA EXCLUSIVA DO SEU PRÓPRIO ESFORÇO.

E, AINDA, DIANTE DO ESPARGIMENTO DA LUZ ESTELAR QUE ILUMINA OS SEUS DISCÍPULOS, AJUDA-OS A SEREM LIVRES-PENSADORES E COMBATENTES DOS ASPECTOS NEGATIVOS DO SER HUMANO, COM OBJETIVO DE ALCANÇAR A UNIÃO DA SABEDORIA COM A FORÇA, COMO NUM SÓ BLOCO E HABILITANDO OS CONSTRUTORES INICIADOS NOS AAGUS MMIST DA MAÇ A SOERGUER O EDIFÍCIO MORAL EM BASES SÓLIDAS E SEGURAS.

POR ISSO, O MAÇOM AO SER ELEVADO AO 2° GRAU, AUMENTA AS RESPONSABILIDADES. SÓ A DEDICAÇÃO AO TRABALHO, FORÇA PROPULSORA DO PROGRESSO, COM OBJETIVO DE ALCANÇAR A META FINAL DE CONCRETIZAR O IDEAL COMUM DO APERFEIÇOAMENTO ESPIRITUAL, POIS SOMOS CRIADOS À IMAGEM DO SUPREMO ARQUITETO E NÃO PODEMOS FICAR INERTES, PRESOS A UM CONDICIONAMENTO SÓ ADMISSÍVEL AOS SERES INFERIORES, CUJOS INSTINTOS NATURAIS E O DESENVOLVIMENTO MENTAL NÃO PERMITEM UMA EVOLUÇÃO COMO A NOSSA, DESTARTE, QUEBRAMOS PELO NOSSO PRÓPRIO ESFORÇO E TRABALHO OS ELES QUE NOS MANTINHAM SEPARADOS DO PAI.

EM CONCLUSÃO, INDEPENDENTE DAS INTERPRETAÇÕES SIMBÓLICAS DIVERSAS ATRIBUÍDAS – ESTRELA FLAMÍGERA, A ESTRELA FLAMEJANTE E ESTRELA DE CINCO PONTAS -, IMPORTANTE É QUE O INICIADO NA ORDEM MAÇÔNICA AO SER INDAGADO “SOIS COMP MAÇ?”, ESTE IR REFLITA NUM ÁTIMO DE TEMPO SOBRE TODAS AS ASSERTIVAS ACIMA EXPOSTAS E AÍ SIM RESPONDA, COM ORGULHO ELEVADO DE SER MAÇOM “EV A EF”.

À GLÓRIA DO GADU

SAÚDE, FORÇA E UNIÃO A TODOS OS IIR

BRASÍLIA, 22 DE NOVEMBRO DE 2005.

 

IR ANDRÉ LUIZ M. VARELLA – CIM N° 217.554

LOJA RAIMUNDO RODRIGUES CHAVES N° 2028 – OR GAMA/DF

(TEXTO PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 221, DE MARÇO /2005, DA REVISTA A TROLHA)