JURA EM PROSA E VERSO

 

TRABALHOS MAÇÔNICOS

 

 

FORÇAS ELEMENTAIS OU ESPÍRITOS DA NATUREZA

 

                  pelo Ven\ Irmão Lucas Francisco GALDEANO

 

     

 

 

 

                  O binômio macrocosmos/microcosmos significa a relação que

                  existe entre o Universo e o Homem, considerado como medida de

                  todas as coisas. Este antropocentrismo, base da Astrologia, da

                  Alquimia, e dos numerosos sistemas metafísicos, foi aceito

                  durante milênios. Significava a cosmovisão na qual o ser

                  humano era considerado a síntese perfeita e completa de tudo

                  que existe no universo. A partir dessa concepção floresceram

                  muitas doutrinas que consideravam o surgimento da vida e do

                  Homem a finalidade verdadeira da criação e que atribuía à

                  evolução um sentido maior.

                  O Panteísmo é, em certo sentido, uma concepção moderna dessa

                  doutrina. Para o panteísta, Deus está presente em todos os

                  seres e coisas, sendo, pois, Ele e a natureza uma coisa só. O

                  mais conhecido sistema panteísta da Filosofia é o de Espinosa

                  (1632-1677), embora a doutrina panteísta tenha florescido mais

                  recentemente na obra de Emerson (1803-1882).

 

                  Embora rejeitada pelo racionalismo filosófico, a Ciência

                  moderna nos surpreende, convergindo exatamente nessa direção.

                  Segundo tal visão revolucionária, o mundo não é absurdo

                  consoante afirmava Sartre (1905-1980) e, tampouco, o homem

                  surgiu nele por acaso, mas o universo, desde o início dos

                  tempos, parece ter conspirado para o aparecimento da vida e do

                  Homem.

 

                   Para se dar conta de que a Terra, o Mar, o Ar e o Fogo estão

                  cheios de coisas vivas basta olhar para eles. Mas são poucos

                  os pensadores que se atreveram a fazer distinções objetivas

                  entre o Homem e a natureza, entre o mundo visível e invisível.

                  A Humanidade deve a Paracelso (1493-1541), notável médico e

                  cientista, a mais completa e lúcida exposição sobre esse ramo

                  da Filosofia que lida com as substâncias espirituais.

                  Paracelso, cujo nome completo era Philippus Aureolus

                  Paracelsus von Hohenheim, é considerado, com todo o direito e

                  honra, como o promotor da grande revolução científica do

                  Renascimento, pespegando, por isso, o epíteto de "Lutero da

                  Medicina".

 

                  A idéia de que a Terra, o Mar e o Ar são habitados por seres

                  invisíveis e inteligentes pode parecer ridícula à mente

                  prosaica de nossos dias. Essa doutrina, entretanto, encontra a

                  adesão de muitos cientistas e filósofos, dentre os quais,

                  Paracelso foi o primeiro. Do mesmo modo que a natureza visível

                  é habitada por um número infinito de criaturas viventes, assim

                  também, segundo ele, a contraparte invisível da natureza é

                  povoada por uma hoste infinita de seres.

                  Em seu livro "Philosophi Occulta" (em latim), Paracelso

                  acrescenta que, enquanto o Homem é composto de várias

                  naturezas (espírito, alma, mente, corpo) combinadas em uma

                  unidade, o Elemental ou Espírito da Natureza não tem senão um

                  princípio, que é o éter de que se compõe e no qual vive.

 

                  O leitor deve ter em mente de que quando se fala em éter o que

                  se designa é a essência espiritual de um dos quatro elementos.

                  Existem tantos éteres quantos elementos e tantas famílias

                  distintas de espíritos da natureza quantos éteres existem.

                  Essas famílias estão completamente isoladas dentro de seu

                  próprio éter e não tem contato com os seres dos outros éteres.

                  Mas como o Homem tem dentro de sua própria natureza centros de

                  uma consciência sensitivos aos impulsos de todos os quatro

                  elementos, é possível para qualquer dos elementos comunicar-se

                  com ele sob condições apropriadas. Isso significa que cada

                  espécie move-se apenas no elemento ao qual pertence e nenhum

                  passa de seu meio-ambiente para outro. A Igreja reuniu todas

                  essa entidades elementais sob o nome geral de demônios.

 

                  A palavra demônio nem sempre teve o sentido que os cristãos

                  lhe atribuem. Foi a Igreja que satanizou esse termo,

                  identificando-o com o espírito do mal. Os gregos chamavam

                  daemon (demônio) a alguns elementais, especialmente os de

                  ordem elevada. O mais famoso desses daemons foi o misterioso

                  espírito que instruiu Sócrates e do qual o grande filósofo

                  falava nos termos mais elevados.

 

                  Muitos dos grandes pensadores tiveram a assistência de uma

                  entidade que pode ser considerada como elemental. Jakob Böhme

                  (1575-1624) dizia-se inspirado por um "anjo", o mesmo

                  ocorrendo com Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), fundadora

                  da Sociedade Teosófica.

                  Paracelso afirma que os elementais não são meramente

                  espíritos, porque dispõe de um corpo sutil e material que, na

                  doutrina teosófica é denominada de astral, capaz de, em

                  determinadas circunstâncias, manifestar-se no plano físico. Em

                  certas situações, tais entidades podem agir sobre o ser

                  humano, quando este lhes dá espaços em sua mente. O Conde de

                  Gabalis procurou demonstrar, com exemplo, a união de um ser

                  humano com um elemental. Entre os filhos de tais uniões, ele

                  assinala Hércules, Aquiles, Enéias, Teseu, Platão, Alexandre

                  Magno e Apolônio de Tiana.

 

                  A Filosofia de Paracelso recebeu a influência do naturalismo

                  renascentista, tendo tido um papel decisivo na progressiva

                  evolução da magia naturalista para a ciência experimental. Em

                  seu tempo foi ele aquela poderosa tempestade que separava ou

                  reunia tudo o que, até então, ninguém tivera a coragem de

                  tocar. Vemos em Paracelso o precursor da Química, além da

                  Psicologia empírica. Durante toda a sua vida lutou pelos seus

                  grandes projetos de reforma das artes médicas. Em virtude de

                  seus grandes conhecimentos herméticos foi considerado por

                  muitas autoridades de seu tempo como membro ou mesmo como

                  mentor da misteriosa Fraternidade Rosacruz.

 

                  A partir das teorias dos cientistas aqui citados, poderíamos

                  considerar esses espíritos da natureza como uma espécie de

                  humanidade, se não fosse o fato de nenhum deles nem os mais

                  elevados possuírem uma individualidade permanente que se

                  reencarne. É por isso mesmo, e pelo fato de terem um éter

                  apenas, podemos afirmar que a evolução humana é diferente dos

                  espíritos da natureza. Mas sejam quais forem as etapas dessa

                  evolução, pouco ou nada sabemos a respeito dela.

 

                  Tratamos até aqui dos quatro elementos ou espíritos da

                  natureza, comentando as obras de autores antigos e modernos,

                  em especial as de Paracelso. Gostaríamos, agora, ao concluir,

                  examinar sucintamente o problema dos quatro elementos tal como

                  é visto pela Maçonaria.

                  A Ciência moderna abandonou, desde Lavoisier (1743-1794), a

                  teoria dos Quatro Elementos, mas essa tomada de posição,

                  embora plenamente válida sob o ponto de vista científico, não

                  pode servir de argumento refutativo à teoria hermética, de vez

                  que esta não é uma Física, mas uma Metafísica.

 

                  A "purificação" pelos "quatro elementos", próprio do Rito

                  Escocês Antigo e Aceito é essencialmente de natureza

                  hermética. Quem quiser compreender realmente a iniciação

                  maçônica em qualquer grau, deve ter em mente que esses

                  "Elementos" não são, de modo algum, os corpos da Física e da

                  Química, traduzidos pelos termos de Terra, Água, Ar e Fogo,

                  mas abstrações que devem ser consideradas princípios de vida.

 

                  Estes são, se formos ao fundo das coisas, as verdadeiras

                  realidades do universo, a partir das quais as aparências

                  sensíveis e tangíveis tomam forma. É a sua ação quádrupla e

                  combinada sobre o Homem que transforma o aspirante em

                  iniciado, preparando-o para a iluminação final.

 

 

                  Referência Bibliográfica

 

                  1) Revista Planeta, nº.56, artigo de Lívio Vinardi: Os

                  Elementais da Natureza e suas Relações com a Alquimia e a

Yoga;

                  2) Mackey, A. Gallatin. In: Enciclopédia de Ia

                  Francomasoneria, 1981;

                  3) ABRINES, Lorenzo Frau. In: Dicionário Enciclopédico de Ia

                  Masoneria, 1976, Vol. l, pág. 478;

                  4) Hall, Manly Palmer. Masonic, Hermetic, Cabalistic and

                  Rosacrucian Simbolical Philosophy.

 

 Ven\Irmão Lucas Francisco GALDEANO

      Venerável Mestre da Loja “Universitária-Verdade e Evolução”

                  nº.3492 do Rito Moderno (2005-2007)

                  ex-Venerável da Loja Miguel Archanjo Tolosa nº.2131 do

                  R.E.A.A.(1991-1993)

                  ex-Grande Secretário Geral de Educação e Cultura do Grande

                  Oriente do Brasil (1993-2001)

                  Presidente do Conselho Editorial do Jornal Egrégora - Órgão

                  Oficial de Divulgação do Grande Oriente do Distrito Federal.