JURA EM PROSA E VERSO

 

TRABALHOS MAÇÔNICOS

 

POTÊNCIA REGULAR, IRREGULAR OU ESPÚRIA

 

Regularidade nada tem a ver com reconhecimento. Não é porque o GOB não reconhece que o maçom ou sua oficina são necessariamente espúrias. É bom lembrar que após a cisão de 1922 as Grandes Lojas estaduais passaram a ser tidas como espúrias pelo GOB e até hoje, em alguns estados, não são reconhecidas pela GLUI (e consequentemente pelo GOB), acabando por se criar uma situação constrangedora dentro das Grandes Lojas. Exemplo: Uma loja da GLESP (São Paulo) não pode, teoricamente manter visitação com uma GLEMG (Minas Gerais), porque a loja paulista tem seu Grande Oriente reconhecido pela GLUI, enquanto que a mineira não.

Depois disso, em 1.972 se não me falha a memória, houve nova cisão na Maçonaria Brasileira, por conta de manipulações eleitorais pouco louváveis nas eleições do GOB (isto sim um ato espúrio e divorciado do verdadeiro espírito maçônico), puramente por vaidades e interesses materiais. Daí surgiu o Conselho de Mestres que depois se tornou a COMAB, a qual também não é reconhecida pela GLUI.

O próprio GOB é espúrio em seu nascimento, pois não se exigia a crença em Deus.

A GLUI (Grande Loja Unida da Inglaterra), que rompeu com a Maçonaria Francesa, tem origem espúria já na própria forma como se deu sua fundação, quando, em 1714 alguns homens, sete no total, não pertencentes à maçonaria formaram um grupo fechado de uma Loja Maçônica em Londres. O local, onde também se conheceram era uma taberna. Local na época propício a bebidas e badernas, o que ocasionou futuros preconceitos e idéias errôneas a respeito do surgimento da Maçonaria. A história não registra o que eles estavam tomando naquele dia.

Esta história, a mesma que em outro contexto poderia ser uma piada de mau gosto, realmente foi o evento que deu o impulso inicial à Maçonaria moderna, a qual criou o conceito de "regularidade". Isto prova que o começo não foi bom.

Posteriormente, esses senhores convocaram outros Cinco grupos de profanos que se definiram como "homens livres e de bons costumes" para considerar a formação de uma associação que combinasse a estrutura organizacional e a linguagem arquitetônica das Grandes Lojas Maçônicas existentes na Escócia, na Irlanda e na própria Inglaterra, na cidade de York, com a característica adicional de ser um ponto de encontro de pessoas com ideologias diferentes, a exemplo do que era praticado na Royal Society, naquela cidade. Entretanto dois desses grupos discordaram sobre as decisões e foram separados desde o início. Os quatro grupos restantes se formaram como Lojas intituladas; A oca, Gril, O Cálice e as Uvas (Provavelmente em homenagem à taberna onde tudo começou) fundando a grande Loja de Londres três anos depois; em 1717.

Encerro dizendo que o que torna um maçom regular ou não é sua conduta e não sua carteirinha ou passaporte. Não critico este ou aquele Grande Oriente, nem atribuo acerto ou erro a quem quer que seja, haja vista que tenho verdadeiros IIr.'. Maçons tanto no GOB, quanto nas Grandes Lojas estaduais (SP e MG), quanto na COMAB (em diversos estados), quanto em diversos Grandes Orientes independentes.

Aliás, a primeira carta constitutiva da minha oficina é do GOB, de onde saímos por divergências administrativas, tendo sido recebidos de braços abertos na COMAB, de onde também saímos por divergir da forma de administração proposta em determinado período, ocasião na qual optamos por nos tornar independentes.

Lamentável que ao invés de buscar a união entre IIr.'. para fortalecimento da Maçonaria e desenvolvimento de atividades mais nobres em prol da nação, da sociedade e da própria Ordem, ainda existam pessoas (felizmente poucas) que ainda prefiram gastar seu tempo em debates estéreis e divorciados da História.

Ir\ Marcelo Costa